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  • geral8204

Aftermarket em Portugal 2021

Atualizado: Jan 21


O que podemos esperar de um ano pleno de incertezas?



Mesmo sendo um ano de muitas incertezas, existem claros indicadores macroeconómicos, da nossa indústria e do nosso sector, que nos ajudam a perspectivar o mercado e a forma de gerirmos os nossos negócios no aftermarket. Algo que será claro para todos, é que pelo menos durante o 1o semestre deste ano, ainda teremos de ter o nível pandémico como indicador de gestão do negócio. A repetição de estados de emergência ou outros que restrinjam a atividade económica, terão sempre algum impacto direto ou indireto no setor do aftermarket. A chamada “fadiga pandémica” que afeta as pessoas, tem um enorme impacto nas empresas no que diz respeito à produtividade e eficiência das mesmas. Aqueles que considerem este sintoma com seriedade nas suas empresas terão seguramente pessoas mais produtivas, eficientes e motivadas. Chegará o momento em que as pessoas entrarão num relaxe pós-covid, mesmo que a epidemia não es-teja ainda totalmente sanada, e, os gestores também necessitarão de aprender a gerir este momento de euforia e potencial desfoco nos objetivos das empresas. Do Quadro I, o que se pode retirar é que o cresci- mento previsto em 2021, não consegue ultrapassar as quedas do PIB em 2020. Isto é dizer que, na melhor das hipóteses, estamos em processo de retoma


QUADRO I //

do ponto de vista macroeconómico, previsão de e 2021 segundo o pees (programa de estabilização económica e social) Em novembro de 2020 (taxa de variação, em percentagem)


económica e, muito provavelmente, com velocidades bem diferentes entre o 1o e o 2 semestre quando esperamos estar mais livres da pressão pandémica. Algo que todos devemos ter em conta nos planos estratégicos das empresas nos próximos anos é a economia circular e a digitalização. Estes são os dois grandes focos da União Europeia para as próximas décadas e toda uma política regulatória, fiscal e de incentivos fará uma mudança profunda na nossa indústria, no nosso setor e nos nossos negócios.


ECONOMIA CIRCULAR //

“Existe apenas um planeta terra mas, em 2050, o mundo consumirá como se existissem três.”

Fonte: Comissão Europeia (Um novo Plano de Ação para a Economia Circular – Bruxelas, 11.03.2020)

No Quadro II, podemos verificar em que áreas o Pacto Ecológico Europeu (Green Deal) irá impac- tar nas próximas décadas: Não tenhamos dúvidas que este Pacto Ecológico Europeu, já hoje, está a transformar a tradicional Indústria Automóvel, para uma Indústria de Mobilidade, de Software (digitalização) e a obrigar a desenvolver produtos que, acima de tudo, cumpram com os regulamentos de emissões e outros, definidos pela União Europeia.



VIATURAS ELÉTRICAS

É visível o acelerar em todas as marcas, o aumento de gamas em Híbridos e VEBs (Viaturas Elétricas a Bateria). No quadro III, assistimos a um mo- mento histórico na União Europeia. Pela primeira vez, as curvas de vendas de viaturas novas ligeiras, encontram-se no decréscimo de viaturas diesel, com o crescimento das viaturas elétricas. O IAM (Independent Aftermarket) trabalha com o Parque Automóvel, mas se o crescimento das viaturas eletrificadas for exponencial nos próximos anos, então o timing da transição tecnológica do Parque pode ser muito mais curto que o esperado. Mesmo que outras tecnologias apareçam como o eFUEL ou o Hidrogénio, parece claro que os VEBs vieram para ficar. O IAM só tem de perceber quando é que cada tecnologia tem interesse em termos de parque automóvel, para ser trabalhada. O estar muito atento ao desenvolvi- mento tecnológico, às novas tendên-cias do Parque Automóvel Português em termos energéticos, aos regula- mentos comunitários que possam restringir a atividade económica dos players do IAM e ainda, à predisposição da alteração do modelo de negócio, são fatores chave para qualquer empresário/gestor do aftermarket.



DIGITALIZAÇÃO

Portugal tem nesta crise uma oportunidade de melhorar a produtividade das empresas. Fazer mais com menos, é o que qualquer gestor ambiciona. A tão falada, e nem sempre entendida, “Transformação Digital” tem nesta crise uma oportunidade única de se instalar com maior rapidez que num cenário dito “normal”. A transformação digital nas empresas tem de ser vista numa perspetiva de estratégia global das mesmas. Algo que é impor- tante perceber desde logo é que esta transformação é sobre pessoas e não tecnologia. Podemos iniciar este per- curso, olhando para os nossos clientes (e potenciais) e a sua predisposição em estarem online.

Conforme mostram os Quadro IV e V do INE (Instituto Nacional de Estatística) em 20 de novembro 2020, temos as pessoas mais online que nunca.



QUADRO V //

Proporção de pessoas dos 16 aos 74 anos que utilizaram internet nos 3 meses anteriores à entrevista, Por algumas características socio demográficas, Portugal, 2020 Portugal, eu-27 e eu-28, 2010-2020


DISTRIBUIÇÃO AUTOMÓVEL / PEÇAS

O ano 2021 será ainda um ano de crise, onde alguns players do aftermarket não resistirão. A consolidação do setor da distribuição de automóveis e de peças automóveis continuará.

A distribuição automóvel como a conhecemos hoje terá tendência para uma alteração profunda nos próximos anos. Os fabricantes de automóveis estarão cada vez mais próximos dos seus clientes (frotas, plataformas digitais ou consumidor final). Os concessionários de hoje serão Agentes dos Fabricantes de Mobilidade (hoje, conhecidos como fabricantes de automóveis).


Os fabricantes de automóveis pretendem no futuro (mais ou menos próximo, tendo em conta o fabricante/marca), receber dividendo económico de tudo aquilo que possa ser comercializado em virtude do seu produto estar no mercado (software e hardware). Isto é dizer que, uma peça vendida no IAM para uma determinada viatura, terá um fee que será entregue ao fabricante do automóvel em causa. Algo que também poderemos esperar em 2021 é a falta de algumas peças no mercado, mesmo aquelas que consideramos fast movers. A paragem de muitas fábricas no período de abril e maio, o boom de consumo entre julho e setembro na maioria dos países europeus, a alteração das encomendas por parte do 1º equipamento e as dificuldades de transporte marítimo, estão na fonte desta falta de produto. Os pneus não ficam fora desta equação, estando mesmo a ser sujeitos a uma enorme pressão de preço por causa do incremento do preço no transporte marítimo.


SERVIÇOS DE REPARAÇÃO AUTOMÓVEL

Com a transformação de concessionários em agentes, estas empresas irão seguramente olhar para o aftermarket e nomeadamente o IAM, como nunca o fizeram. São empresas que normalmente apresentam estruturas de gestão bem desenhadas, financeiramente bem controladas e com pessoas formadas e capacitadas. Isto é dizer que, esta transformação terá o seu impacto no IAM e os players atuais do mesmo devem con- tar com esta nova realidade.

Faz poucos meses que um dos maiores grupos de distribuição automóvel português, decidiu adquirir o Master Franchise duma rede de Oficinas fast fit de origem americana. Muito provavelmente este será o primeiro de muitos outros casos que irão acontecer na Europa e em Portugal.

O maior ativo das oficinas independentes em Portugal é a sua proximidade com o cliente (relacionamento) e a sua flexibilidade operacional. O maior “calcanhar de Aquiles” é a sua fraca capacitação em gestão de empresas. Em período de crise, aquilo que alguns fazem como opção de gestão é retardar pagamentos aos fornecedores de peças. Esta decisão, leva a que toda a cadeia de distribuição sofra e, no limite, poderá levar ao encerramento de distribuidores de peças que economicamente estão bem, mas que do ponto de vista da tesouraria não aguentam as suas operações.

RESUMO

Este 2021 será um ano difícil, principalmente durante o 1º semestre, tendo em conta a crise pandémica, económica e social (esperando que as vacinas venham a resolver a questão pandémica). A indústria automóvel está numa autêntica revolução, fazendo a sua conversão para uma nova indústria num período de crise. A União Europeia está focadíssima em implementar o mais rapidamente possível um novo paradigma de Economia Sustentável no espaço Europeu. O IAM será fortemente impactado por tudo isto. A boa notícia é que o aftermarket normalmente é mais resiliente que outros setores às crises e, a outra boa notícia, é que os portugueses têm normalmente uma forte capacidade de adaptação ao novo meio envolvente, quando percebem que fazer mais do mesmo não é opção. Por tudo isto, temos de estar positivos relativamente a 2021! l

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